
O Senado aprovou no dia 15 de setembro a liberação do uso da internet por candidatos nas eleições e por causa da medida, algumas questões foram levantadas. A maioria das pessoas tem se mostrado a favor e acham que isso pode ser considerado um exercÃcio da democracia, porém tem aqueles que acham que esta “facilidade” pode ser benéfica apenas para os polÃticos. Com o avanço da tecnologia, a internet ganhou espaço de vez na vida das pessoas e faz parte da rotina de 30% dos brasileiros. Hoje, é considerada entretenimento, ferramenta mais importante no trabalho e até alternativa midiática para fugir de mÃdias tendenciosas e parciais.
Considerando todos estes fatos, entrevistamos o Deputado Federal Milton Monti (PR – SP) sobre a aprovação desta emenda.
A liberação da campanha polÃtica na internet pode trazer quais benefÃcios ao candidato?
MM – O benefÃcio maior é a população cidadã poder acompanhar de perto todas as movimentações da campanha, as propostas dos candidatos, aquilo que cada um tem a oferecer.
Tendo em vista a eficiência que tiveram os “caras pintadas” quando foram à s ruas e o ocorrido em 2009, onde usuários da internet fizeram a mesma manifestação online para a saÃda de Sarney sem grandes resultados, o senhor acha que esta liberação pode trazer mais credibilidade polÃtica através da internet?
MM – Eu tenho certeza que alguns dogmas e conceitos preconcebidos acabem sendo revisados mais cedo ou mais tarde. Então, essa transparência através da internet vai dar a dimensão exata do trabalho de cada um dos parlamentares, ela vai encurtar esses caminhos.
As pessoas confiarão mais neste meio?
MM – Acredito que sim. As pessoas têm a oportunidade de colocar as suas sugestões e crÃticas, suas objeções e opiniões sobre os vários temas da vida nacional. Claro que ainda não dá para dizer que essa seria a opinião de toda a população porque nem todos têm acesso à internet. Mas, sem dúvida, é significativo, importante.
A liberação de campanha polÃtica na internet mesmo em dia de eleição não está sendo considerada boca de urna por qual motivo?
MM – Não entendo como boca de urna. A internet é livre, tem que permanecer livre. Não é possÃvel pensarmos qualquer tipo de restrição ao seu uso. Não podemos, a pretexto de impedir o mau uso, proibir todo mundo. Não será o acesso à internet no dia da eleição que vai modificar o voto das pessoas. Esse voto deve ser construÃdo ao longo do tempo, com consciência.
O número de 24 anúncios online por candidato é suficiente para uma boa campanha com tantos portais existentes?
MM – Essa restrição, na minha opinião, não deveria existir, porque faz-se uma restrição que depois fica difÃcil até de controlar.
Existe uma corrente, dizendo que o uso da internet será uma forma de combater a mÃdia politicamente tendenciosa, o que beneficiará os partidos e polÃticos de pouca expressão e abrangência. O senhor concorda?
MM – Não estou pensando se a internet livre vai beneficiar A ou B ou prejudicar A ou B. Repito: as pessoas que fizerem mau uso desse instrumento democrático e de alcance social devem ser penalizadas por isso. No demais, as pessoas devem se manifestar.
O senhor e seu Partido já estão se preparando virtualmente para a campanha presidencial 2010?
MM – Acredito que todos os partidos e a grande maioria dos candidatos estão se preparando para isso. E nós vamos ter que participar também desse tipo de atuação. O uso da internet tem que ser parte da campanha de todos e avalio como um erro das pessoas que não procurarem se colocar neste meio de comunicação.
O senhor usa ferramentas virtuais?
MM – Uso várias ferramentas virtuais e tenho procurado me aprimorar nisso, entendo que esse é um caminho que deve ser percorrido.
Tendo em vista que a internet é acessÃvel a 30% da população brasileira, percentual maior que aqueles que lêem jornais e revistas, a liberação de seu uso é um avanço tecnológico, pode ser considerado um exercÃcio da democracia?
MM – Sim. O uso da internet como a banda larga para populações mais necessitadas, municÃpios que oferecem sinal a todos seus cidadãos gratuitamente provam isso. Há um movimento que visa aumentar a participação da população neste instrumento que eu considero extremamente democrático.
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