|
|
|
X-Men
2 é a
evolução
das adaptações
de
quadrinhos
Por
Sérgio
Codespoti
Um
filme
baseado em
quadrinhos
deve
cumprir três
quesitos
bastante
distintos:
tem que
ser fiel
ao
material
original
(ou cairá
na ira dos
leitores),
deve
funcionar
como espetáculo
de cinema,
e precisa
interessar
não só
aos
leitores
de HQ, mas
também ao
público
em geral.
X-Men
2
é uma das
melhores
transposições
já feitas
das páginas
dos
quadrinhos
para o
cinema,
embora não
seja a
adaptação
mais fiel,
que
provavelmente
continua a
ser Rocketeer
ou o
primeiro Super-Homem.
A película
funciona
maravilhosamente
como espetáculo
de cinema,
com um
roteiro
bem
amarrado,
que
surpreende
aos
leitores,
e deve
agradar
bastante o
público
que curtiu
o primeiro
filme,
afinal,
este
segundo
episódio
é muito
superior.
X-Men
2 se
beneficia
do fato de
já ter
explicado
quem são
os
personagens
no
primeiro
filme.
Agora, o público
já sabe
quem são
os
mutantes e
conhece
seus
dilemas.
Por isso,
a história
tem
liberdade
para
explorar
os outros
aspectos
dos
personagens
e, assim,
acaba
surpreendendo.
O filme
começa
numa ótima
seqüência
de ação,
que
introduz
Noturno
(Alan
Cummings).
Retoma
temas
deixados
de lado no
episódio
anterior,
como
Wolverine
(Hugh
Jackman)
em busca
de seu
passado
visitando
a base
Alkali
(que
corresponde
ao projeto
Arma X dos
quadrinhos)
e Mística
(Rebecca
Romijn-Stamos)
se
passando
pelo
falecido
senador
Robert
Kelly
(Bruce
Davidson).
Um ataque
ao
presidente
americano
acaba por
resultar
em ações
drásticas
contra os
mutantes,
levadas
adiante
pelo
general
William
Stryker.
Isto
resultará
num
envolvimento
de Mística
e Magneto
(Ian
McKellen),
ainda
preso em
sua cela
de plástico,
com os
X-Men.
X2
é muito
mais
sombrio
que o
anterior,
com cenas
mais
fortes.
Wolverine,
por
exemplo,
está
detonando,
como nos
quadrinhos,
violento e
selvagem.
O triângulo
amoroso
entre
Ciclope
(James
Marsden),
Jean Grey
(Famke
Janssen) e
Wolverine
também
recebe
maior atenção.
Jean ganha
mais
destaque e
é uma das
surpresas
do filme.
Ciclope,
entretanto,
continua
longe de
ser o
mesmo dos
quadrinhos,
com
participação
pequena.
Existem
dois
fatores
que
contribuem
para isso.
O primeiro
é que seu
papel nas
HQs hoje
em dia está
diluído.
Ele não
é mais
mostrado
como o
grande líder
de equipe,
o que se
viu no
passado na
revista New
X-Men,
e nem
mesmo na Ultimate
X-Men
ele faz
este
papel. Além
disso,
ambas as
revistas
exploram
mais o
personagem
Wolverine
e o triângulo
amoroso
com Jean.
O segundo
fator é
que James
Marsden,
como ator,
está
longe do
cacife dos
outros
atores nos
papéis
principais.
O
Professor
Xavier
(Patrick
Stewart)
continua
sendo um
dos parâmetros
morais
desta
guerra que
envolve
humanos e
mutantes,
e por
isso, é
uma peça
fundamental
para a vitória
de
qualquer
um dos
lados.
Vampira
(Anna
Paquin)
tem um
papel
menor, mas
não menos
interessante,
e o filme
explora
seu
relacionamento
com o
Homem-de-Gelo
além do
papel dos
jovens
dentro dos
X-Men.
Tempestade
(Halle
Berry) está
mais
agressiva,
e usa seus
poderes de
maneira
genial
durante o
filme.
Magneto,
na pele de
Ian
McKellen,
está
perfeito,
misturando
com
habilidade
os valores
do
personagem
e sua
vilania.
Aliás, o
mestre do
magnetismo
é responsável
por bons
momentos
da
aventura.
Mística
é outra
personagem
que está
espetacular,
ganhando
mais tempo
de filme
e,
inclusive,
sendo
mostrada
com a aparência
verdadeira
da atriz,
quando
tenta
seduzir um
guarda.
Numa de
suas
melhores
cenas, a
metamorfa
de pele
azulada
engana
Wolverine,
durante
uma das
poucas
pausas na
ação do
filme. É
puro gibi!
Vamos aos
outros
personagens:
Noturno
(Nightcrawler):
Alan
Cummings
está ótimo
no papel
de Noturno
e seu
aspecto
visual é
muito próximo
ao dos
quadrinhos.
As
cicatrizes
adicionadas
a ele (e
as explicações
para as
mesmas) são
muito
interessantes.
Os efeitos
especiais
de
"teleporte"
estão ótimos.
O
personagem,
de certa
forma, usa
elementos
desenvolvidos
na linha Ultimate
X-Men.
Homem-de-Gelo
(Iceman):
Shawn
Ashmore
reprisa
seu papel
como o
jovem
Bobby
Drake. O
personagem
ganhou
bastante
espaço na
trama,
dando
continuidade
a alguns
eventos
iniciados
no filme
anterior.
Ele tem
algumas
oportunidades
para usar
seus
poderes e
os efeitos
estão
bons.
Tanto a
linha
tradicional
de X-Men,
quanto nas
revistas
da linha Ultimate,
vêm
explorando
argumentos
com a família
de Bobby
Drake. O
filme não
é exceção.
Piro
(Pyro):
Faz um
contraponto
ao
Homem-de-Gelo
e Vampira.
Interpretado
por Aaron
Standford,
que
assumiu o
lugar de
Alex
Burton (do
primeiro X-Men)
como Piro,
tem uma
atuação
importante
e um papel
que sugere
a
possibilidade
de retorno
em possíveis
continuações
da série.
Para quem
não sabe
(ou não
se
recorda)
Piro
surgiu nos
quadrinhos
durante a
aclamada
saga Dias
de um
Futuro
Esquecido
(Days
of Future
Present),
de Chris
Claremont
e John
Byrne,
como
membro da
Nova
Irmandade
de
Mutantes,
comandada
por Mística.
Colossus:
No
primeiro X-Men,
ele já
havia dado
as caras,
como um
garoto que
desenha
durante a
apresentação
da escola
e dos
estudantes.
Uma ponta
rápida,
destinada
apenas aos
fãs de
carteirinha,
que
estavam
observando
atentamente.
Em X-Men
2 ele
retorna de
maneira
clara, em
duas
cenas, uma
ainda
explorando
o seu lado
de artista
(que é
importante
para o
personagem)
e outra,
em sua
forma
blindada,
que vai
deixar os
fãs
pedindo
por muito
mais.
Daniel
Cudmore
interpreta
o mutante
russo. É
preciso
dizer que
a semelhança
física
com o
personagem
das HQs é
impressionante.
Kitty
Pryde/Lince
Negra
(Shadowcat):
Em X-Men,
a
personagem
havia sido
interpretada
por Sumela
Kay, numa
cena onde
ela
atravessa
uma parede
da Mansão,
na frente
de
Wolverine.
Neste episódio,
é Katie
Stuart que
assume o
papel da
jovem
mutante
capaz de
atravessar
paredes e
pessoas.
Apesar de
parecer
mais jovem
que a
atriz
anterior,
ela é na
verdade um
ano mais
velha.
Ainda
não foi
neste
filme que
Kitty
ganhou uma
participação
definitiva.
Sua presença
se resume
ao uso de
seus
poderes
numa cena
divertida,
durante um
momento
tenso do
filme.
Syrin:
A jovem
atriz
Shauna
Kain
interpreta
Theresa
Cassidy, a
filha de
Banshee,
um dos
membros
dos X-Men
nos
quadrinhos.
Como
Colossus e
Kitty, sua
participação
é
pequena.
Nos
quadrinhos
Syrin fez
parte das
equipes
dos Novos
Mutantes
e da X-Force.
William
Stryker:
É na
verdade
uma
mistura de
personagens.
Ele foi
inspirado
no
reverendo
Stryker da
graphic
novel Conflito
de uma Raça
(God
Love, Men
Kills)
e mesclado
à trama
do projeto
Arma X. O
resultado
é muito
bom. O
filme
ganha um
vilão de
peso, com
implicações
mais
psicológicas
e
conceituais.
É um
humano que
odeia
mutantes,
um tema
bastante
comum nas
revistas
dos X-Men.
No papel
de Stryker
está o ótimo
escocês
Brian Cox,
que já
fez os
mais
diversos
papéis,
inclusive
de
Hannibal
Lecter, em
Manhunter,
a primeira
adaptação
de Red
Dragon
(Dragão
Vermelho).
Yuriko
Oyama/Lady
Letal
(Lady
Deathstrike):
Nos
quadrinhos
é um
daqueles
personagens
cujas
origens
estão
imersas
numa
verdadeira
mistura de
revistas e
autores. Daredevil,
Alpha
Flight,
X-Men:
todas
estas
revistas
tiveram
muita
importância
na criação
de Lady
Letal, que
ficou
imortalizada
no traço
de Barry
Windsor-Smith
em X-Men
#205 a
qual
garantiu
seu lugar
no panteão
dos
grandes
inimigos
de
Wolverine.
No cinema,
sua origem
foi
modificada,
sugerindo
que ela
foi parte
do projeto
Arma X,
assim como
Wolverine
(algo que
nos
quadrinhos
era
reservado
ao
Dentes-de-Sabre,
que
participou
do
primeiro
filme e não
teve
chances
neste episódio).
Apesar das
mudanças,
ela está
fantástica,
impiedosa
e letal
como
afirma seu
nome. Se
Stryker é
o grande
inimigo
dos X-Men,
Yuriko é
a grande
ameaça a
Wolverine.
O combate
entre
ambos é
sensacional
e mais
violento
do que os
fãs
poderiam
esperar.
Muito
superior
ao
decepcionante
confronto
entre
Wolverine
e
Dentes-de-Sabre
no
primeiro
episódio.
Yuriko
é
interpretada
por Kelly
Hu, a bela
atriz
havaiana
que já
havia se
destacado
no filme Rei
Escorpião
(The
Scorpion
King)
e também
está em Contra
o Tempo
(Cradle
2 the
Grave),
ao lado de
Jet Li.
Jason
143:
Esta foi
uma
interessante
modificação
em relação
aos
quadrinhos.
Jason é
ninguém
menos que
Jason
Wyngarde,
o Mestre
Mental,
que nas
HQs já
pertenceu
tanto à
Irmandade
de
Mutantes
quanto ao
Clube do
Inferno.
Aqui, sua
presença
está
ligada a
Stryker.
Gambit,
Fera,
Jubileu e
outros:
Jubileu
(interpretada
por Kea
Wong)
aparece em
algumas
cenas, mas
não faz
nenhum uso
de seus
poderes. A
personagem
também já
havia sido
vista no
primeiro
filme, mas
com outra
atriz,
Katrina
Florece,
no papel.
O Fera
(Beast):
Steve
Bacic
aparece
apenas
numa
ponta, na
televisão,
como o Dr.
Henry
McCoy. Aliás,
segundo o
site imdb.com,
também
está
creditado
com uma
participação
o ator
Charles
Siegel,
como Dr.
Sebastian
Shaw (do
Clube do
Inferno),
mas que
foi
cortada na
montagem
final.
Gambit
(Remy
LeBeau),
Karma
(Xian Coy
Mahn) e o
Homem-Múltiplo
(Jamie
Madrox) não
aparecem,
mas têm
seus nomes
verdadeiros
listados
num
computador,
numa cena
rapidíssima.
Gambit
seria
interpretado
por James
Bamford,
que
trabalhava
como dublê
de
Wolverine
nos
ensaios de
ação (e
se
machucou
levemente
durante um
ensaio), e
teria sido
escolhido
pelo próprio
Bryan
Singer por
sua
semelhança
física
com o
personagem.
Fez sua
cena em um
único
dia, numa
ponta, mas
que foi
cortada da
montagem
final.
O
resultado
final é
uma
continuação
muito
superior
ao filme
original,
que fez um
uso
excelente
de seu orçamento
mais
polpudo, e
que
surpreende
principalmente
pela boa
história,
que deve
agradar
aos fãs e
também ao
público
que não
acompanha
quadrinhos.
X-Men 2
é
dirigido
por Bryan
Singer,
que além
de ter
sido o
responsável
pelo
primeiro X-Men,
dirigiu o
maravilhoso
Os
Suspeitos,
devendo
estrear em
450 salas
por todo o
Brasil, no
feriado de
1° de
maio.
Para os
outros estúdios,
fica a
dica, é
assim que
se faz um
filme
adaptado
dos
quadrinhos.
Resultado:
um
programa
imperdível.
FICHA
TÉCNICA:
X-Men 2
(X-Men
2,
EUA, 2003)
Direção:
Bryan
Singer
Roteiro:
Michael
Dougherty
e Daniel
P. Harris
Elenco:
Patrick
Stewart,
Hugh
Jackman,
Ian
McKellen,
Halle
Berry,
Famke
Jansse,
James
Marsden,
Rebecca
Romijn-Stamo,
Brian Cox,
Alan
Cumming,
Bruce
Davison ,
Anna
Paquin,
Kelly Hu,
Aaron
Stanford,
Katie
Stuart,
Michael
Reid
MacKay.
Gênero:
aventura/ficção/quadrinhos
Duração:
130
minutos
|